Eu me lembro da data com uma clareza assustadora: sexta-feira, 26 de junho de 2020. Um dia ensolarado, comum. Eu estava com meu pai numa farmácia para uma tarefa rápida. Enquanto ele conversava com a atendente, meus olhos, quase que por instinto, foram atraídos para a balança no canto da sala. Uma curiosidade mórbida me impulsionou e eu subi, despretensiosa, sem imaginar que aquele simples gesto mudaria tudo.
O número apareceu, frio e impiedoso: 109,9 kg.
O número me paralisou, a respiração falhou, o coração gelou. Minha mente, em um segundo, fez os cálculos: se eu estava com quase 110 kg naquele momento, significava que, como já havia emagrecido um pouco nos meses anteriores, eu deveria ter chegado a pesar 120 kg.
A ficha caiu como um soco no estômago. A verdade é que eu não estava apenas pesando quilos, eu estava carregando anos de responsabilidades, dores engolidas em silêncio e uma vida inteira de deixar a mim mesma sempre para depois.
Naquele instante, a balança não me mostrou apenas um peso; me mostrou um reflexo. Olhei para mim e não me reconheci. Onde estava aquela mulher que sonhou, que riu alto, que acreditou em si? Em seu lugar, havia uma estranha apagada, anulada, que estava apenas sobrevivendo em vez de viver.
E foi ali, aos 38 anos, que o universo me deu o alerta mais claro de todos: se eu não tomasse uma decisão naquele momento e não decidisse mudar de uma vez por todas, talvez não chegasse aos 50.
Foi o meu momento de basta, não de revolta, mas de despertar. Era como se o destino tivesse usado aqueles números frios para me dar um espelho da minha história… uma história que, pela primeira vez, eu senti que ainda poderia reescrever.
O primeiro passo: não tinha um plano, tinha apenas vontade
Na manhã seguinte ao choque na balança, algo dentro de mim se recusou a permanecer no mesmo lugar. Eu não tinha um plano, não tinha um manual perfeito, mas sabia que precisava dar o primeiro passo. E foi exatamente isso que fiz: saí para caminhar.
Os primeiros metros foram um martírio, parecia que meus pés arrastavam no asfalto, minhas pernas pareciam de chumbo e a respiração se perdia em segundos. Cada passo era uma luta contra a exaustão e, pior, contra a voz interna que sussurrava: “Você não vai conseguir. É muito difícil.” Mas, por trás desse sussurro, uma outra voz, mais forte, gritava: “Continue.” E eu continuei.
Passos curtos, lentos, cambaleantes, mas, para mim, eles eram imensos. Porque não era apenas o corpo que se movia, era a minha vida que, finalmente, saía da estagnação.
Aos poucos fui me animando mais, comecei a pesquisar sobre exercícios simples e a fazer escolhas mais conscientes na alimentação, sem punições ou dietas malucas. E confesso que, nesse processo, minha mãe se tornou o meu maior presente. Ela me acompanhava, preparava sucos e vibrava com cada pequeno avanço. Parecia que ela depositava mais fé em mim do que eu mesma.
Três meses depois, a surpresa: eu já não caminhava, eu corria. Corria com passos leves, com o coração pulsando em liberdade, como quem deixa para trás velhos fardos e descobre que ainda há vida e força escondidas dentro de si.
A conquista que a balança não pôde medir
Em novembro, cinco meses depois daquele dia na farmácia, subi novamente na balança. O número apareceu e marcava 93 kg. Um misto de alegria e superação tomou conta de mim, fazendo com que me desse conta de que eu já havia eliminado 17 quilos.
Mas, naquele instante, eu soube que a verdadeira vitória não estava somente nos quilos perdidos. Eu estava conquistando algo muito maior: deixando para trás uma versão de mim que se escondia e não se enxergava.
Pela primeira vez em muito tempo, não senti vergonha ou frustração, mas um orgulho genuíno de mim mesma. Aquele não foi apenas o primeiro passo da caminhada; foi o primeiro passo de uma nova vida.
E pouco mais de um ano após aquela decisão, o resultado foi ainda mais grandioso: eliminei 40 kg. Finalmente cheguei aos 80 kg e mantenho esse peso até hoje — praticamente 4 anos depois de iniciar este processo.

E a maior lição que aprendi é que o emagrecimento duradouro não se baseia em dietas radicais ou remédios, mas em um segredo simples: equilíbrio entre alimentação consciente (reeducação alimentar), atividades físicas consistentes que trazem prazer e liberdade, contato com a natureza e práticas de autocuidado para manter a mente saudável.
Essa foi a minha jornada, e o que eu te digo é que se eu consegui, qualquer pessoa também consegue.
E eu criei este blog para te mostrar exatamente isso, para te dizer que o Spa de Deus não é um lugar, mas uma filosofia de vida: a de que a verdadeira transformação começa de dentro, com a coragem de se olhar no espelho e de dar o primeiro passo rumo à versão mais leve e livre de si mesmo.
E você, qual passo vai dar hoje?